A onda ou modismo acadêmico do momento é descolonizar. Movimento sem muita profundidade conceitual e prática.
Por Henrique Cunha Junior

“Que tal no lugar de descolonizar, ficarmos com democratizar o poder e repartimos 50% a 50% das cadeiras, tanto em gênero com também entre as populações negras”
Eu explico, tem muitos discursos , construções científicas superficiais, e muitas pessoas pensando que estão criando uma nova vanguarda. Não estão!
Primeiros que ideias já existiam no pan-africanismo e agora estão sendo recopiadas sem a devida citação acadêmica. Outra o problema é de poder econômico e político, isto não está sendo transformado.
Lembrando que invasões, dominação, extermínios, tráfico de pessoas e racismo antinegro, não é colonização, e sim são crimes contra a humanidade. Portanto nada a descolonizar e sim a indenizar as populações e retirar os privilégios, repartir as riquezas acumuladas e democratizar a estrutura de poder. Coisas que são bem mais profundas que um simples discurso de descolonizar. Não fomos colonizados, nossos candomblés e umbandas, nossos quilombos e nossos movimentos negros não foram colonizados pela modernidade eurocêntrica. Somente para revisar o atual. Aqueles que fazem o discurso marxista de descolonizar, que tal mudar para democratizar e não ficarem com o 100% das cadeiras, a exemplo do Conselho Nacional de Educação.
Que tal no lugar de descolonizar, ficarmos com democratizar o poder e repartimos 50% a 50% das cadeiras, tanto em gênero como também entre as populações negras. Proporem para o próximo governo 50% de ministras e ministros negros e mulheres. Assim provaria na prática que você eurocêntrico, branco, descolonizou as suas práticas mentais de poder, não apenas num discurso, feito como defeito e efeito de dizer que está mudando, sem na realidade produzir mudanças efetivas.
Henrique Cunha Junior (2026). Pan-Africanista. Professor titular da Universidade Federal do Ceará – UFC. Professor visitante da Universidade Federal da Bahia – UFBA.
