AS AFRODESCENDÊNCIAS DE ASSARÉ: TERRITÓRIO, MEMÓRIA E
CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NEGRA
Por Maria Ismênia Leite de Sousa

“A presente pesquisa realizada sobre Assaré-CE na linha de mestre deste livro, foi desenvolvida, tendo como base o pensamento inovador do intelectual negro, Manoel
Querino“
A presente pesquisa realizada sobre Assaré-CE na linha de mestre deste livro, foi
desenvolvida, tendo como base o pensamento inovador do intelectual negro, Manoel
Querino. Os registros aqui apresentados, origina-se a partir das subjetividades da autora entrelaçado a sua história de vida pautada em uma área rural do município citado e os atravessamentos enfrentados para acessar o espaço escolar. Assim, diante da apropriação em leituras em literaturas afroreferenciadas, oportunizando o reconhecimento de si como mulher negra, no movimento de construção e reconstrução das vivências associadas aos aspectos geográficos do município de Assaré-CE, como ferramenta necessária para apropriação identitária de si e do seu lugar de origem.
Por se tratar de um município pertencente a região do Cariri cearense, localizado
em uma área que liga duas importantes regiões cearenses: os Inhamuns e Cariri. O
município apresenta seus primitivos registros de ocupação por descendentes de europeus, africanos e afrodescendentes em situação de escravizados, ao final do século XVIII. Nesse contexto, as bases epistemológicas eurocêntricas, reproduzidas em uma cultura oligárquicas que fundamentou o desenvolvimento das cidades do interior cearense nesse período, contribuíram para invisibilidade da cultura africana e afrodescendente na historiografia do lugar.
Diante de inquietações da autora por compreender as contribuições das
populações negras na história oficial do município para além de escravizados, a
apropriação de leituras em literaturas afroreferenciadas como: Diop(1975)
Rodney(2022); Cunha Júnior(2001, 2010, 2014, 2023); e Manoel Querino, intelectual
negro em que reivindica em 1918 pensar a população negra do Brasil como o grande
colono, devido aos conhecimentos transferidos como necessário na produção econômica do Brasil, contribuíram para ressignificar a compreensão da formação de Assaré.
Nesse contexto, a pesquisa foi pautada em uma abordagem qualitativa à luz da
metodologia afrodescendente de pesquisa, ancorada nos estudos de Cunha Júnior (2001) que trata do conceito de afrodescendência para compreensão da participação da população negra e suas contribuições na história sociológica, na formação civilizatória do Brasil. A utilização da abordagem de pesquisa histórica pautou-se nos estudos de Barros (2013), para fundamentação teórica da pesquisa na compreensão do passado histórico do município, a partir do uso em fontes documentais e bibliográficas.
A apropriação desse estudo, possibilitou adentrar na investigação das
espacialidades do município, identificando nos modos de vida da população e no uso de técnicas de alimentos e de construções que originaram as primeiras edificações de casas e casarões do vilarejo, como conhecimento necessário para relacionar as populações do passado com a construção do território, da economia da cidade e da região do Cariri cearense.
Assim, os resultados obtidos durante a investigação da pesquisa, possibilita
explicar o município e a produção da cidade por meio do ensino de Geografia com
mapeamento dos espaços de memória do lugar em uma perspectiva afrodescendente,
considerando as contribuições das populações negras como necessário para interpretar a história, cultura e geografia do município. Logo, compreendendo a cidade e o município para além de sua localização no espaço, mas como resultado de relações de poder, disputas de memória, pertencimento e processos de construção identitária.
Nesse contexto, apresente pesquisa foi desenvolvida considerando as
potencialidades do ensino de Geografia aqui utilizado para explicar a cidade e o município de Assaré. Assim, a pesquisa parte do processo de urbanização da cidade originando-se no entorno da primitiva barragem Banguê, refletindo o território com uma segregação espacial e a resistência de mulheres negras na cultura e história local repleto de memórias africanas presentes nos espaços das casas de farinha de mandioca e na cultura da dança do coco. Os conhecimentos produzidos nesta pesquisa como necessários para compreender o município de Assaré, afirmando sua identidade negra.
Maria Ismênia Leite de Sousa.
Licenciada em Geografia pela Universidade Regional do Cariri -URCA. Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Ceará-UFC.
Mestre em Educação pela Universidade Regional do Cariri-URCA.
Possui especialização em Geografia e Meio ambiente pela mesma Universidade e Gestão Escolar e coordenação pedagógica pela Faculdade de Juazeiro do Norte -FJN.
Professora da rede pública municipal de Assaré.
É integrante do Núcleo de Estudo em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais- NEGRER.
Pesquisa sobre a memória, cultura e patrimônio cultural afrodescendente de Assaré -CE.
